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Aspartame

Impacto no apetite, no consumo alimentar e no controle de peso

Pesquisas afirmam que o aspartame não aumenta o apetite ou o consumo alimentar e pode ajudar no controle do peso

Um pequeno número de estudos epidemiológicos e com animais, que levantaram a dúvida de que os adoçantes de baixa e sem calorias poderiam, na verdade, promover o ganho de peso, tem chamado muito a atenção da mídia e da Internet. Entretanto, existem muitas pesquisas mostrando que, quando usado no lugar de opções mais calóricas, os alimentos e bebidas produzidos com adoçantes de baixa ou sem calorias têm o potencial de ajudar no controle de peso. Mas, também está claro que seus benefícios dependem de como as pessoas decidem usar alimentos e bebidas com adoçantes de baixa e sem calorias, já que é possível anular rapidamente as calorias economizadas ao cometer excessos calóricos em outras opções de alimentos e bebidas.

  • Um teste de controle aleatório de dois anos realizado por Blackburn et. al. descobriu que os obesos que se inscreveram em um protocolo de perda de peso e foram instruídos a consumir produtos contendo aspartame perderam aproximadamente a mesma quantidade de peso que as pessoas instruídas a evitar produtos contendo aspartame. Entretanto, na marca de acompanhamento de dois anos, os usuários de aspartame tiveram mais sucesso em manter a perda de peso, engordando menos da metade do peso que o grupo de não usuários (controle).
  • Um estudo de saciedade de 2010 com indivíduos magros e obesos, realizado por Anton et. al. e publicado no Journal Appetite, descobriu que os participantes que consumiam porções com menos calorias contendo estévia ou aspartame não compensavam consumindo porções com mais calorias que continham sacarose no almoço ou no jantar.
  • Uma revisão de Mattes e Popkin, publicada no American Journal of Clinical Nutrition em 2009, analisou as descobertas de 224 estudos sobre os efeitos dos adoçantes de baixa e sem calorias no apetite, na ingestão alimentar e no peso. Descobriram que a ideia de que os adoçantes de baixa e sem calorias pode promover o ganho de peso originou-se em um estudo britânico de 1986, no qual descobriu-se que o apetite auto-avaliado era maior nas pessoas que tomavam água adoçada com aspartame do que nas pessoas que bebiam água pura. Entretanto, esta descoberta não foi confirmada em outros estudos e não foi encontrado aumento no consumo alimentar real em qualquer outro estudo que avaliou o efeito do consumo de adoçantes de baixa e sem calorias. Eles concluíram que, apesar de testes em curto prazo fornecerem evidências mistas de menor consumo energético com o uso de adoçante de baixa e sem calorias, “os testes em longo prazo (provavelmente os estudos nutricionalmente mais relevantes) indicam consistentemente que a utilização de adoçantes de baixa e sem calorias resultam em consumo energético ligeiramente inferior”.

Em relação ao impacto no IMC, Mattes e Popkin observaram que “a causalidade reversa permaneceu como provável explicação” para pelo menos uma parte das descobertas epidemiológicas recentes vinculando o uso de adoçantes de baixa e sem calorias ao ganho de peso e que “quando obtidas em conjunto, as evidências resumidas por nós e por outros pesquisadores sugerem que, se adoçantes sem calorias forem usados como substitutos para adoçantes calóricos, eles têm o potencial de ajudar no controle do peso”.

  • Uma revisão de 2007, realizada por Bellisle e Drewnowski, avaliou diversos estudos laboratoriais, clínicos e epidemiológicos sobre adoçantes de baixa e sem calorias, densidade energética e saciedade e eles concluíram que: “Embora não sejam pílulas mágicas, os adoçantes de baixa e sem calorias presentes em bebidas e alimentos podem ajudar as pessoas a reduzir o consumo de calorias (energia).”
  • Em 2006, uma revisão de 16 estudos realizada pela British Nutrition Foundation (BNF) concluiu que “o uso de alimentos e bebidas adoçados com aspartame em vez de sacarose é uma forma efetiva de manter e perder peso sem reduzir a palatabilidade da dieta. Considerando que a média ponderada da duração do estudo foi de 12 semanas, isso fornece uma taxa estimada de perda de peso em torno de 0,2 kg/semana para um adulto de 75 kg.”
  • A American Dietetic Association (ADA) conduziu uma análise profunda de questões e preocupações comuns sobre o aspartame usando sua abordagem de “evidence analysis” (EAL) em 2008. Por exemplo, alguns pesquisadores afirmam que os adoçantes de baixa e sem calorias, como o aspartame, poderiam ter um efeito de “rebote” que levaria as pessoas a ter apetite maior ou comer mais alimentos e que, na verdade, “fariam” as pessoas ganharem peso. A análise também avaliou se existiam evidências para comprovar as sugestões encontradas na Internet de que o aspartame tem um impacto negativo na saúde. Na sequência de uma análise rigorosa de estudos relevantes em seres humanos, que incluiu considerar fatores como o tamanho e a qualidade de cada estudo e potenciais vieses, a revisão concluiu que, especulações da mídia à parte, o uso de aspartame como adoçante não tem efeito no apetite ou no consumo alimentar. A mesma avaliação reafirmou o que as autoridades regulatórias e de saúde já disseram antes muitas vezes: o aspartame não está associado a efeitos adversos para a maioria da população.
    • As principais conclusões da análise baseada em evidências sobre pesquisas de aspartame da ADA incluem:
      • “Há boas evidências de que o aspartame não afeta o apetite ou o consumo alimentar.” Essa declaração de consenso recebeu o “grau 1”, o mais alto grau na escala de EAL.
      • “O uso do aspartame no contexto de uma dieta de redução de calorias não afeta o peso e pode estar associada a perda de peso em adultos.” Essa parte da pesquisa também recebeu grau 1, o mais alto grau na escala de EAL.
      • O comitê avaliou a pesquisa revisada por colegas especialistas da literatura científica sobre esse tópico e concluiu: “O consumo do aspartame não está associado a efeitos adversos na população em geral”. Novamente, o grupo de trabalho de especialistas descobriu que o suporte a essa declaração é de grau 1, o mais alto grau na escala de EAL.
        A ADA administrou todos os aspectos do processo, incluindo a seleção dos analistas da pesquisa e dos especialistas membros do grupo de trabalho. A avaliação foi financiada conjuntamente pela ADA e pela Ajinomoto. Para acessar o relatório e analisar todas as questões com acesso aos resumos da pesquisa, visite o site Evidence Analysis Library da ADA acessível através de www.eatright.org. (Em Inglês)

Referências

Mattes R ve Popkin B. Nonnutritive sweetener consumption in humans: effects on appetite and food intake and their putative mechanisms. American Journal of Clinical Nutrition. 2009; 89:1-14.
http://www.ajcn.org/cgi/reprint/89/1/1

Bellisle F ve Drewnowski A. Intense sweeteners, energy intake and the control of body weight. European Journal of Clinical Nutrition. 2007; 61: 691-700.

Ashwell, M, Gibson, S, de la Hunty, A. A review of the effectiveness of aspartame in helping with weight control. British Nutrition Bulletin. 2006 June ;31(2):115-128.

ADA Evidence Analysis Library on Aspartame. A systematic review of the literature on aspartame. The American Dietetic Association. www.adaevidencelibrary.com

Blackburn GL, Kanders BS, Lavin PT, Keller SD ve Whatley J. The effect of aspartame as part of a multidisciplinary weight-control program on short- and long term control of body weight. American Journal of Clinical Nutrition. 1997; 65, 409-418.